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‘Reforma’ trabalhista dificulta negociações dos metalúrgicos do ABC

27/08/2018

Com o fim da ultratividade, sindicato se mobiliza para conseguir aprovar nova convenção coletiva até o fim de agosto

Da redação RBA publicado 24/08/2018

Sindicato está mobilizando a categoria para reagir às mudanças na legislação trabalhista e garantir a renovação da convenção

São Paulo – Com a convenção coletiva válida apenas até o próximo dia 31, os metalúrgicos da região do ABC e na base da CUT no estado de São Paulo buscam novo acordo com as empresas. Entretanto, os sindicalistas alertam que os empresários têm se apoiado na “reforma” trabalhista, sancionada em 2017, para flexibilizar direitos.

O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, destaca a importância da convenção coletiva e ressalta que após a implementação da “reforma” (Lei 13.467), os patrões querem retirar cláusulas essenciais para os trabalhadores. “Em todos os grupos patronais, todos se pautaram pela flexibilização de direitos. Com a reforma trabalhista, caiu a ultratividade. Antes, o acordo vencido continuava valendo até um novo ser negociado. Agora, um dia após o vencimento, o acordo não vale mais nada. Se a gente não conseguir renovar nossa convenção até o próximo dia 31, vamos ter que começar do zero”, afirma, em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual.

A secretária da Mulher da Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT), Andrea Ferreira de Sousa, trabalhadora na Apis Delta, comenta a respeito das dificuldades na mesa de negociação com as bancadas patronais. “Na nossa campanha salarial é onde conseguimos barrar minimamente os impactos da reforma. Nós queremos resguardar toda a nossa base, porque dá para fazer acordo com empresas grandes, mas e com as pequenas empresas ou oficinas? Nós pensamos em toda a categoria em toda essa convenção.”

Ainda de acordo com Aroaldo, o sindicato está mobilizando toda a categoria para reagir às mudanças na legislação trabalhista e garantir a renovação da convenção coletiva. A entidade reivindica aumento real. “Sem ela (convenção coletiva), estaremos entregues à reforma para que os patrões a apliquem como quiserem”, diz.

De acordo com os dirigentes sindicais, os patrões avançam na tentativa de retirar direitos por se sentirem representados pelo atual governo e pelo Congresso. Para os metalúrgicos, os únicos contemplados com a “reforma” de Temer foram os empresários, que tiveram garantidos a terceirização e o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos.

 

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