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O 1º de maio mais importante para a classe trabalhadora

03/05/2018

Em uma conjuntura extremamente desfavorável, a luta precisa ganhar as ruas do país

Nem em seu pior pesadelo a classe trabalhadora poderia imaginar um país onde dia após dia, seus direitos escoam pelo ralo. As medidas tomadas pelo governo golpista e corrupto mergulhou o Brasil em uma profunda e grave recessão com cerca de 13 milhões de pessoas desocupadas, enquanto que a informalidade e a precariedade das relações de trabalho cresce vertiginosamente, representando o êxito da reforma trabalhista. “Crescem as ocupações precárias, dificulta-se (quando não se impede) a reclamação na Justiça do Trabalho os direitos não reconhecidos, enfraquecem as armas de luta das organizações sindicais. Mas, a demonstração mais efusiva de seus efeitos não necessita mais que um simples olhar para as ruas das metrópoles brasileiras: o quadro de horror e abandono da população, revelado nos cortejos de ambulantes (talvez agora chamados de “new entrepeneurs”) e pedintes por todo lado”, destaca Ilmar Ferreira Silva, economista do DIEESE.

Ilmar conta que, para se ter uma ideia, o número de acordos e convenções coletivas registrados no Ministério do Trabalho caiu de forma expressiva nos primeiros meses de 2018, em relação ao ano passado, e também à média dos últimos cinco anos. Tal recuo indica que patrões e empregados têm tido mais dificuldade em chegar a bom termo nas negociações este ano. Pontos da reforma trabalhista estariam contribuindo para o impasse entre ambos os lados. De acordo com o DIESSE, 2.802 acordos foram registrados no primeiro trimestre, 29% menos que em igual período do ano passado, quando o número foi de 3.939. A média entre 2012 e 2017 foi de 3,8 mil. Os números de janeiro a março referem-se a instrumentos coletivos acordados para 2018. “Deve ser lembrado que uma das mais enfáticas justificativas para a reforma era de que seriam eliminadas ‘inseguranças jurídicas’ a que as empresas estariam expostas. Entretanto, quem tem acompanhado as negociações desde o final de 2017, percebe que existe, na verdade, o contrário: nem mesmo no meio jurídico (nos Tribunais em todas as instâncias) existe consenso sobre a legalidade das medidas preconizadas”.

Diante deste cenário nebuloso, mais um ponto fundamental: as eleições de outubro que podem sim sofrer manobras institucionais que impeçam sua realização. “Primeiro não existe, ainda, garantia definitiva sobre a realização das eleições de outubro. Não temos claro o quadro de candidatos e como se alinharão as forças em disputa. E se vencer uma posição do campo progressista, é de se verificar se o vitorioso vai assumir, com a volta à normalidade tanto na esfera jurídica quanto na política. No âmbito do Parlamento, cabe conhecer o perfil dos congressistas que sairá das urnas. Uma repetição das bancadas atuais não permitiria grandes mudanças no cenário atual”, afirma.

Um cenário nebuloso para as pessoas que lutam dia a dia para seu sustento e de suas famílias. A conjuntura é desfavorável sim. Mas de nada irá adiantar o desânimo e o desalento. Acompanhar os golpes apenas pelas notícias manipuladas da TV não causará nenhuma mudança para a classe trabalhadora. Se há golpe, há também luta. E os diversos setores da esquerda brasileira precisam, urgentemente, se ater à isso e se rearticular frente aos diversos ataques sofridos.

“Estamos de pé, precisamos levantar nossas bandeiras. Nossas armas são a própria luta, são todas as forças de nosso contingente. É tarefa nossa passar nossa experiência a todos que estão ao nosso lado, para mostrar que foram enganados e vão perder muita coisa. Precisamos conversar com o povo, estar no meio dele. Só assim vamos recuperar o que perdemos. Para sair dessa situação em que nos colocaram, precisamos de um governo de esquerda, porque só assim podemos reverter o desmonte”, destaca o presidente do SEEL Daniel Paulo.

Foto: Paulo Pinto / CUT

Neste 1º de maio, dia do Trabalhador e Trabalhadora a toada precisa ser a unidade, a potência e a luta. Resistir é preciso. Marcio Carvalho, Secretário Geral do SEEL, indaga: “Temos o que comemorar, festejar? Talvez devêssemos manifestar, protestar nas ruas, avenidas, rodovias, ficarmos todos em casa ou até trabalhar ou, pior ainda, irmos todos ao cemitério por luto. Ora, mais quem morreu? Morreu a CLT, as lei trabalhistas que nos protegiam. Com a nova reforma, a partir de agora não teremos mais segurança no trabalho, mais estabilidade, garantias que seremos respeitados como trabalhadores e cidadãos. Aos poucos nos serão tirados as horas-extras com trabalho intermitente, o direito de uma melhor aposentadoria por tempo de serviço com a terceirização, entre outros. Logo penso que o Dia do Trabalhador devesse ser um dia de reflexão e análise sobre os direitos do trabalhador e seus dependentes, e talvez o dia de fazer parte das lutas de sua categoria”.

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