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Eleições de 2018, tragédia ou redenção?

17/10/2018

Nossa Campanha Salarial 2018/2019 – de negociação entre trabalhadores e empresários da indústria do livro –, coincidiu com o calendário eleitoral nacional. Passado o primeiro turno das eleições, que resultaram numa polarização entre dois candidatos e projetos bastante distintos, logo chegaremos ao segundo turno, dia 28 de outubro. Desse modo, diante dos dois projetos, a nós, do sindicato, queremos nos manifestar com preocupação sobre os rumos que o País pode tomar depois das eleições.

O Brasil passa por um dos seus piores momentos, desde 2016. Em dois anos lutamos pela queda de Michel Temer, o ilegítimo que mesmo com menos de 5% de aprovação, permaneceu na presidência da República com o objetivo de implantar o projeto rejeitado nas urnas de 2014. Lutamos contra a Reforma Trabalhista dos patrões e perdemos a batalha. E lutamos contra a Reforma da Previdência, onde fomos parcialmente vitoriosos, devido ao ano eleitoral no qual candidatos buscavam a reeleição.

O poder judiciário e a imprensa se juntaram para manter Lula preso e impedir sua participação no processo eleitoral – durante um ano ouvimos que se Lula estivesse no páreo, venceria qualquer adversário logo no primeiro turno, diziam as pesquisas. A saída para nós, trabalhadores e trabalhadoras, é eleger um candidato com compromisso verdadeiro e confiável em favor de direitos conquistados em lutas árduas.

As eleições de 2018 são a única forma de restaurar a democracia golpeada em 2016. Na disputa temos dois projetos bem distintos: um que atesta os valores de três governos democrático-popular iniciados pela vitória de Lula da Silva em 2002, com alto índice de aprovação; e outro projeto, de um candidato capitão reformado com vice general, bem parecido com o que o Brasil viveu nos anos 1960 e a Alemanha viveu nos 1930, num programa que mistura violência, medo e surge como novidade, como o antissistêmico, apesar de estar na vida política há quase 30 anos. Quem teve a curiosidade de pesquisar sobre o slogan do candidato capital verificou coincidência extremada com a campanha nazista.

O candidato Fernando Haddad (PT) foi escolhido o representante do programa político do PT e de Lula, recebendo uma enxurrada de votos devidamente transferidos logo após seu anúncio ao impedimento de Lula. Haddad foi prefeito da cidade de São Paulo e o mais longevo Ministro da Educação durante o governo petista, com avanços em políticas modernas e inclusivas .

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) vem sendo apresentado à sociedade há tempos, desde que os tucanos perderam o rumo. Sua propaganda é profissional e explora com naturalidade um ataque ao que antes chamávamos de politicamente correto.

Com o desmanche das candidaturas de Alckmin (PSDB) e Marina (Rede), partidos competitivos em eleições anteriores, a polarização ficou mesmo entre o PT de Haddad e PSL de Bolsonaro. Este, por sua vez, surgiu e foi alimentado por aqueles que apostaram na instabilidade e na crise política, uma espécie de efeito colateral das trapalhadas que o PSDB criou em não aceitar a derrota desde 2014. Veio com um discurso típico do baixo clero de um Congresso pouco comprometido com o povo. É violento, autoritário, avesso ao debate democrático, fez fortuna para si e sua família na política – alguém já teve a curiosidade de pesquisar o crescimento de sua fortuna pessoal e de seus filhos?

Sempre que teve oportunidade, atacou mulheres, homossexuais e negros. Há inúmeras situações públicas bem reveladoras (em tempos de internet, aos incrédulos vale uma pesquisa), nas quais o candidato não admite o diferente, o diverso, o outro, num movimento típico da intolerância. Vê fantasmas comunistas pelos corredores, como na velha escola da Guerra Fria. Fala de extermínio e armas como se fossem instrumentos úteis para se chegar ao seu mundo ideal.

Bolsonaro é um perigo para a democracia! É a continuidade do projeto de Michel Temer (PMDB), mesmo plano, mesmas políticas de um mundo avesso à participação popular. A candidatura do capitão com seu vice general representa o menos, o pouco, o temeroso. Representa menos Cultura, menos Educação, menos Cidadania, menos Segurança, menos Igualdade, menos Direitos Humanos, menos respeito pela Diversidade, menos vida. Para uma categoria como a nossa, que lida com livros, é um prejuízo irreparável.

O candidato capitão representa o aprofundamento do corte de gastos sociais, prosseguindo com a famigerada PEC do Teto (ou da Morte), a do golpista Michel Temer; representa o fim do 13º salário, já anunciado pelo seu vice general; representa a obrigação do povo em escolher entre “menos direitos ou o desemprego”; representa a famigerada reforma trabalhista que aposta na informalidade e na precarização dos empregos; representa a privatização do SUS (quer colocar o pobre e o desempregado para fora do sistema de saúde); representa a desigualdade econômica e social como nunca se via no Brasil desde a restauração da democracia.

Não podemos permitir que seu projeto vença as eleições, e o voto é nossa arma. Que se crie uma frente antifascista de preservação da democracia e suas instituições, de respeito à vida. Torcemos para que eleitores de Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL) estejam ao lado de Fernando Haddad (PT), num projeto que reafirma a democracia. E aos eleitores de Geraldo Alckmin e Marina Silva, fica o convite para não se absterem da responsabilidade em momento tão crucial da política nacional, que se manifestem contra o arbítrio, a violência e o autoritarismo que se avizinha. O Brasil não merece o caos. E qual o nosso papel diante dessa tragédia? Fazer das eleições de 2018 nossa redenção. Viva o povo brasileiro!

Diretoria Executiva do SEEL-SP

 

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